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Dados municipais

O território do atual município de Malhada dos Bois pertencia inicialmente, as terras doadas por Cristóvão de Barros através do Sistema de Sesmaria ao seu filho Antonio Cardoso de Barros, as quais se estendiam das margens do São Francisco às do Cotinguiba. Foram elas posteriormente, incluídas entre aquelas que a viúva de Antonio Cardoso de Barros doou ao seu genro Pedro Abreu de Lima, e que depois vieram a integrar o grande município de Propriá, hoje tão reduzido o seu território com o desmembramento de muitos outros.

Mas o crescimento, tanto das plantações como os rebanhos, fez com que as demarcações dos fins do século XVIII se tornassem absoletas, aguçando-se conflitos entre agricultores e criadores de algumas regiões, especialmente na Vila de Itabaiana levando por volta de 1814 “ a Conselho, os povos deste termo tanto criadores, como fazendeiros, em Audiência Geral, com a assistência do Ouvidor Geral”. Nessa reunião ficou deliberada a retirada do gado, que perturbava as plantações, das matas para a caatinga. Sergipe continuou como principal abastecedor de gado da Bahia, tornava-se necessário a expansão das fazendas de gado e os engenhos de outrora;

Assim as terras descritas na doação de Cristóvão de Barros sem a prosperidade esperadas foram passadas através do mesmo sistema ao Major João de Aguiar Boto de Melo e este as ocupou desde a Vila de Maruim até a Vila de Santo Antonio de Propriá. Construiu dois engenhos na região de Malhada dos Bois, o Engenho Brejinho, hoje “Fazenda Brejinho” e o Engenho Pedra da Onça, hoje, “Fazenda Pedra da Onça” que se estendiam até São Francisco, Poço dos Bois e Malhada dos Bois até a BR 101

Os engenhos datam da época da escravidão. Com a libertação dos escravos estes passaram a funcionar com a mão-de-obra livre de ex-escravos, habitantes de Malhada dos Bois, Poço dos Bois e de outras regiões, assim como passou-se a observar a mão-de-obra de imigrantes que se espalhavam por todo o Estado de Sergipe.

Estes fatores determinaram a expansão e o crescimento do território Malhadense. O gado foi a maior expressão de colonização não só de Malhada dos Bois, como de Sergipe e do Brasil.

Origem do Nome

Tudo começou quando o Major João de Aguiar Boto de Melo, um português que chegou ao Brasil como tantos outros trazendo dinheiro, gado de raça, sementes e escravos e “O título de afidalgamento, fato que ocorria também na Capitania de Sergipe Del-Rei a pedidos de fazendeiros ao Rei, de patentes de Major, Coronel, Capitão, Sargento de Milícias, afirmava os grandes patentados rurais, acentuando-se a hierarquização social e o poder político da região”. Com tais requisitos recebeu condecoração de maior criador de gado da raça leiteira e a doação de extensas sesmarias desde Minas Gerais, Bahia e em Sergipe recebeu terras de Antonio Cardoso de Barros, filho de Cristóvão de Barros doou ao seu genro Pedro Abreu de Lima, que se estendiam desde o Vale do Cotinguiba ao lado de Maruim seguindo as margens do São Francisco, que depois vieram a construir o grande município de Propriá, hoje tão reduzido no seu território, com o desmembramento de muitos outros.

Foi nessas passagens com seu gado de Minas Gerais para Alagoas que o Major João de Aguiar Boto de Melo, reconheceu o valor daquelas terras, pela fertilidade da região, com boas pastagens, ao lado de uma bela nascente de água doce jorrando de dentro da mata formada por madeira de lei como: Peroba Ipê, Pereiro, Cedro, Jacarandá, Angico, Arueira e tantas outras espécies, além de uma pedreira no alto da mata formando exuberante cachoeira que descia cantando rocha abaixo e espalhava “Olhos D´água” formando riachos como: o Riacho do Tanque, Riacho Saco do Couro e Riacho do Pedro, encontrando-se com o Rio Jacaré que atravessa o povoado Poço dos Bois e a cidade de Cedro de São João.

Ali naquela nascente, à sombra dos arvoredos os boiadeiros paravam com suas boiadas para deixar o gado malhar. Enquanto o gado malhava, juntavam lenha e faziam uma grande fogueira que os aqueciam e espantavam animais selvagens, assavam carne e ao seu redor se reuniam nas noites de lua cantando toadas ao som dos berrantes, tamborins e violas.

Em outras passagens quando os boiadeiros perguntavam onde iam descansar, os outros respondiam, na “malhada”, na Malhada dos Bois, daí a origem do nome da cidade que ficou até os dias atuais reconhecida na História de Sergipe e do Brasil como Malhada dos Bois.

A Fonte é o ponto de origem da cidade e a mata que circundava a nascente onde muitos anos depois foi construída a fonte ficou conhecida como “Mata da Fonte”. A grande pedreira existente até hoje possui inscrições de povos que por ali passaram ficando na história conhecida como “Pedra das Almas”. Reconhecida a área, o Major João de Aguiar Boto de Melo, instalou dois engenhos na região: Engenho Brejinho, hoje “Fazenda Brejinho” e Engenho Pedra da Onça, hoje “Fazenda Pedra da Onça”, firmando seu ponto de parada em Malhada dos Bois, e, comprou duas casas em Propriá que servia de ponto de apoio entre Sergipe e Alagoas, grande suporte, mais tarde cria seus filhos que ali estudaram.

Com a instalação dos engenhos e fazendas de gado, outras famílias foram chegando para trabalhar nas fazendas de gado instaladas na região pela numerosa “Família Aguiar” assim como na lavoura do algodão, segundo produto econômico da época.

As Principais Casas e o Povoamento de Malhada dos Bois

As informações passadas de geração a geração foi a de que os primeiros moradores que iniciaram o povoamento foram Manoel Quirino e Manoel Teodoro. Chegaram ao lugar onde construíram suas casinhas de taipa por volta de 1830, na parte baixa do território como diziam os mais idosos “uma grota, só poderiam morar aqui quem estivesse fugindo, se escondendo”, pois o local fica entre uma grota e outra. Os dois moradores viveram ali por mais de vinte anos e não há notícias de familiares. Segundo os mais idosos sempre se soube que eram dois fugitivos do Estado de Alagoas.. O que faziam era plantar roças de milho, mandioca, feijão, abóbora e viviam da caça e da pesca.

O local onde construíram suas casinhas, hoje é a residência do Ex-Prefeito Manoel Gomes Im Memoriam ( Vilar ). Era um lugar cercado por matas de madeira de lei como: Cedro, Peroba, Pereiro, Angico e outras espécies. A água corria em abundância por entre as encostas das partes altas para as baixas.

O terreno acidentado no local não permite até hoje a expansão do povoamento. A construção de casas nessa região atualmente é muito dispendioso em virtude das dificuldades de planear o terreno. Qualquer construção atual é edificada em cima de uma laje para nivelar o terreno. Observando por esse prisma, verifica-se a dificuldade da ampliação e desenvolvimento do povoamento, visto que, os altos e baixos da cidade não oferecem uma visão das nossas paisagens, local propício para quem não queria ser encontrado ou descoberto. Foram encontrados alguns dados que os mesmos eram parentes de Corisco – parceiro de Lampião.

Quase todas as casas do centro da cidade possuem uma escada10 dentro da casa ou servindo de descida para o quintal11

A Família Aguiar no Povoamento da Cidade

O Major João de Aguiar Boto de Melo casou-se com Rosa Cecília de Novais, natural do município de Cedro de São João (SE), filha de Manoel Gomes e Hermelina Novais Gomes. Sua família residia em Propriá, onde seus filhos estudaram

O Major era dentista por profissão e através dos seus conhecimentos em medicina ajudava a toda comunidade nos problemas de saúde, o que o tornou uma pessoa muito querida e respeitada em todo o Baixo São Francisco

No primeiro casamento teve 21 (vinte e um) filhos. Dois filhos natural (fora do casamento), um destes Jonas Pereira de Melo herdou o dom de seu pai e aprendeu a arte de extrair dentes e ajudar as pessoas com problemas de saúde. Residiu até seus últimos dias no Povoado Baixão onde sempre foi bem lembrado, existe até hoje uma escola com o seu nome: Escola Municipal “Jonas Pereira de Melo”, iniciada sua construção pelo ex-prefeito Antonio Vieira Filho e concluída pelo ex-Prefeito Walfrido Barbosa da Silva.

O Major ficou viúvo, casou-se novamente e teve mais dois filhos. Com uma família tão numerosa seus filhos se espalharam por muitos Estados do Brasil e em Sergipe a presença da família Aguiar é marcante em muitos municípios.

Os nomes de alguns filhos do Major João de Aguiar Boto de Melo

* João de Aguiar Boto de Melo (filho)

* Bento de Aguiar, herdou a Fazenda Pedra da Onça, passando de pais para filhos, hoje pertence a seus netos Francisco de Assis Aguiar Dória, Antonio de Aguiar Dória e Áurea de Aguiar Dória

* Augusto Aguiar de Melo ( herdou as terras que circundavam a nascente que deu origem a cidade, desenvolveu a pecuária e o comércio

* Sebastião Aguiar

* Jonas Pereira de Melo (natural), herdou a arte de ser dentista e as terras do povoado Baixão.

* José Aguiar

* Tereza de Aguiar (mãe de Romeu), herdou o Engenho Brejinho, hoje essas terras integram a Fazenda Brejinho.

* Guilhermina de Aguiar

* Maria de Aguiar ( esposo, José Alves dono do Cartório Vila Nova hoje Neópolis).

* Acelino de Aguiar

* Afra de Aguiar (esposo, Manoel Gomes, pai de Manoel Gomes de Aguiar, senhor Maneca Gomes) herdeiros da Fazenda Brejinho, passando por herança para filhos e netos. A casa da sede pertence ao seu neto e atual Prefeito de Malhada dos Bois, Augusto César Aguiar Dinizio, eleito em 2004 para o quadriênio 2005/2008

* Carolina de Aguiar (esposo, Senhor Pinheiro)

* Rosa de Aguiar ( esposo, Antonio Francisco, 1º dono da casa de Antonio Vieira Filho-( Tonho de Banha)

* Emília de Aguiar (morreu solteira)

* Felisbela de Aguiar (esposo, Antonio Figueiredo)

* Nenê de Aguiar (casada com Jeremias Caldas pai de Maroca Caldas e João Caldas de Propriá).

* Dona de Aguiar (natural) residia no Espinheiro município de Japoatã/SE

Dos seus filhos, os que continuaram participando do desenvolvimento de Malhada dos Bois foram: Bento de AguiarAugusto AguiarJonas de AguiarAfra Aguiar e também o neto Romeu de Aguiar Figueiredo (primeiro prefeito de Malhada dos Bois).

Augusto de Aguiar Boto de Melo casou-se com Joana Caldas do Engenho Matinhas de Água Branca Alagoas e passaram a residir na cidade de Malhada dos Bois, onde construíram sua primeira residência no prédio onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Ação Social, ao lado construíram um armazém de secos e molhados atualmente pertence ao bisneto Francisco de Assis Caldas da Hora, Vereador por três mandatos. Anos depois construíram uma casa maior, hoje residência de seus bisnetos filhos de sua neta Joana Luisa de Aguiar Caldas da Hora - Im Memoriam - , que até os seus últimos dias de vida seguiu o exemplo do avô mantendo sempre o comércio – pequeno comércio. O senhor Augusto de Aguiar Boto de Melo, muito contribuiu para o grande desenvolvimento do comércio Malhadense.

Bento de Aguiar, herdou o Engenho Pedra da Onça, era um homem muito correto e justo, foi Prefeito Intendente e Delegado e quando assumiu o cargo mandou queimar o tronco dos escravos em Malhada dos Bois. Pai de muitos filhos encaminhando todos para a vida no campo.

As informações constantes nesse item, foram obtidas a partir de (Dados Pesquisados pela bisneta do Major João de Aguiar Boto de Melo, Liege de Aguiar Caldas Vieira, - Im Memoriam - ex-diretora do Colégio Estadual “Emiliano Guimarães” e fornecidas por sua tia Maria da Glória de Aguiar Caldas, neta do Major João de Aguiar Boto de Melo – Im Memoriam)

PIB per capita [2014] 12.356,88 R$  
 
  Percentual das receitas oriundas de fontes externas [2015] 96,4 %  
 
  Índice de Desenvolvimento Humano Municipal [2010] 0,599  

Malhada dos Bois é um município brasileiro do estado de Sergipe

Número de habitantes Malhada dos Bois            3.461 habitantes

Gentílaco                                                             malhadense

Densidade populacional Malhada dos Bois         54,8 /km² (141,8 /sq mi)

Coordenadas geográficas Malhada dos Bois      Latitude: -10.3481, Longitude: -36.9231

10° 20′ 53″ Sul, 36° 55′ 23″ Oeste

Superfície Malhada dos Bois      6.320 hectares  

                                                   63,20 km² (24,40 sq mi)

Altitude Malhada dos Bois          97 m (318 ft)

Clima Malhada dos Bois               Clima tropical com estação seca (Classificação climática de Köppen-Geiger: As)

HINO MALHADA DOS BOIS-SE

Letra: Manoel Marcondes da Silva Santos

I

Vastos campos frondosos imponentes

Guardiões das águas encantadas

Atraindo de forma eloquente

Os viajantes de longas jornadas

II

Em pouco tempo nos campos surgiu

Um vilarejo com tendência crescente

A cultura do algodão fluiu

Impulsionada pelo vigor daquela gente

III

Valentia e candura aladas

Sentimentos do antes e do depois

São os símbolos das terras marcadas

Que fizeram Malhada dos Bois

IV

Em 25 de novembro

De 1953

Conquistou a sua emancipação

Com assaz honra e altivez

V

Romeu de Aguiar, o primeiro prefeito

Iniciou um governo de glórias

É lembrado com imenso respeito

Pelo seu legado de vitórias

VI

Valentia e candura aladas

Sentimentos do antes e do depois

São os símbolos das terras marcadas

Que fizeram Malhada dos Bois

VII

Foram crescendo os povoados

Cruz da Donzela com a industrialização

Tabocal na agricultura e pecuária

Assim como Fluvião, Congo e Baixão

VIII

Sempre avente caminha o malhadense

Jamais esquece o chão onde nasceu

Relicário que a ti pertence

Carregado pelos filhos teus

IX

Valentia e candura aladas

Sentimentos do antes e do depois

São os símbolos das terras marcadas

Que fizeram Malhada dos Bois